segunda-feira, 30 de maio de 2016

REAÇAS SE APROVEITAM DA COMOÇÃO PARA ODIAR FEMINISTAS

Cartum anti-feminista: Aham, é exatamente assim que o mundo é. 
Esta não é a saída apontada
por feministas para combater
estupros. Mas, se fosse, seria
melhor que a dos reaças
Desde quarta-feira, quando o caso do estupro coletivo no Rio tomou as redes, reaças decidiram que o mal a se combater não era o estupro, e sim as feministas, que combatem o estupro. 
De lá pra cá, reaças se juntaram para falar um monte de besteiras contra feministas. Nada disso é novo, claro. Eles só aproveitaram a ocasião para martelar mentiras na mente de gente que não pensa. Reuni aqui algumas bobagens que foram (e continuam sendo) espalhadas por reaças: 
- Feministas não fazem nada pelas vítimas. 
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Aí o Marcelo Freixo decide arranjar uma advogada (feminista) para a menina, e é chamado de oportunista político. Se não faz, é ausente, picareta, hipócrita. Se faz, é oportunista. Logo de cara a direita inteira se pôs a atacar a advogada que, ontem, foi dispensada pela família. Reaças comemoraram, se bem que a verdade é que a advogada foi dispensada porque a menina entrou no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM). Claro, reaças indiretamente comemoram que a garota esteja sendo ameaçada de morte!
- Feministas odeiam os pais. 
Semana passada pegaram no pé da cantora Pitty porque ela escreveu num tuíte: "Parem de relativizar estupradores como 'doentes', 'monstros'. Antes disso tudo, eles são HOMENS, e fizeram pq aprenderam que podiam fazer". 
Nenhum escândalo, nenhuma inverdade. É como eu disse outro dia: estupradores não são alienígenas que desembarcam no nosso planeta e se põe a estuprar terráqueas. Eles são cria nossa, prata da casa. Então não convém chamá-los de demônios, vermes, monstros, doentes etc. Eles são homens. 
Assim como existem (muitos) homens que não estupram nem batem nas mulheres, existem (muitos) homens que estupram e batem. Questionar essa masculinidade, que feministas chamamos de "masculinidade tóxica", é uma tentativa de combater uma ideologia -- que não é natural, é ensinada -- que leva muitos homens à violência. Fingir que esse é um probleminha individual que acomete poucos homens (e que assim que cometem um ato hediondo deixam de ser homens) não resolve. 
Mas esse tuíte da Pitty fez até que criassem uma hashtag contra ela, #processempitty. E os reaças aproveitaram para mais uma vez reforçar uma mentira que sempre divulgaram -- que feministas são mulheres que tiveram um péssimo relacionamento com o pai ou não tiveram sequer um relacionamento. Porque, sabe, feminismo é uma "doença" que tem cura (rola ou ter um filho macho) e tem causa (ser gorda, ter sido estuprada, não ter sido estuprada, não ter pai etc). 
Eu e meu amado pai quase
cinco décadas atrás
Ai, ai. Eu conheço um montão de feministas que adoram seus pais. Eu sou uma. Meu pai foi uma das pessoas mais importantes da minha vida. Eu o perdi quando eu tinha 26 anos e até hoje, 23 anos depois, é raro o dia em que não sinto saudades desse pai tão amado, tão presente em toda a minha vida. Ele era feminista, era de esquerda, e foi uma das minhas maiores influências desde que eu era criança. Então inventem outra, reaças, que essa "teoria do pai ausente" não tem nada a ver com a realidade. 
- Se feministas fossem a favor das mulheres, seriam a favor do porte de armas geral. 
Ahã. Imagina se eu junto um grupo de feministas e passamos a andar armadas. Imagina se a gente passar a atirar em legítima defesa. Tenho certeza que os reaças nos dariam o maior apoio, né?
Reaças estão divulgando fotos
(que podem ser montagens) com
rosto e nome de menor de idade
Até quando há uma vítima comprovada como a menina de 16 anos do estupro coletivo, reaças fazem tuítes assim, divulgando nome e foto de uma menor de idade que está correndo risco de vida. Mas e aí? A vítima posou com armas uns anos atrás. Isso muda exatamente o quê? Se a menina estivesse armada (pode, reaças? pistolas e metralhadoras pra menor de idade também?), ela teria impedido o estupro coletivo? Ela atiraria em todos os 33 caras ou só em alguns? E nenhum dos 33 estaria armado?
Reaças juram que praticamente qualquer estupro é denúncia falsa, invenção de feminazi, mentira de uma mulher que se arrependeu de ter transado. Então pra cima de moi que vocês vão ficar do lado de uma vítima que mata seu estuprador!
- Outros casos não tiveram essa comoção toda.
Felipe e Liana, brutalmente assassi-
nados em 2003
Vi vários reaças falando do terrível caso de Liana Friedenbach, garota de 16 anos que foi assassinada por outro menor de idade, Champinha, e seu grupo, após vários estupros coletivos. Um reaça disse que o caso não teve a mesma repercussão que o estupro coletivo do Rio agora. Olha o nível da besteira! Primeiro que o caso Liana causou gigantesca comoção, tanto que se fala nele até hoje. Segundo que ele aconteceu em 2003, quando a internet ainda estava engatinhando e não existiam Facebook, Twitter e outras redes sociais. 
Reaças também dizem que a esquerda defendeu Champinha, o que é outra grande mentira. Uma ou duas pessoas não representam "a esquerda". Perguntar se Champinha não seria também uma "vítima da sociedade" não tira dele a responsabilidade do ato. Alguém ser contra a redução da maioridade penal não quer dizer que essa pessoa defende menores infratores. Pô, não é tão difícil de entender! Sem falar que Champinha é um péssimo exemplo para mencionar a "impunidade dos menores de idade" porque ele segue internado até hoje. 
- Feministas não falaram nada sobre estupro coletivo no Piauí no ano passado. 
Que mentira! Não só foi um assunto de comoção nacional que gerou "textões" (aqueles que vocês odeiam tanto) de um monte de feministas, como também a senadora Vanessa Grazziotin, por causa do caso, apresentou projeto para aumentar em um terço a pena para estupro coletivo. 
- E se os 33 homens se declarassem mulheres?
Outra besteira que veio à tona com o caso do estupro coletivo: falar de mulheres trans usando banheiros femininos. Pois é, não tem nada a ver com nada, mas quem disse que reaças primam pela coerência?
Talvez o primeiro tuíte nesse sentido tenha vindo da ex-jogadora de vôlei Ana Paula, que continua famosa por ser reaça. 
Mas vi vários outros, inclusive o do ilustrador eleitor do Bolsonaro que foi demitido pelo estúdio. Em excelente posicionamento, a Chiaroscuro Studios anunciou que decidiu "encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis". 
Pra usar um termo reaça, é de uma "desonestidade intelectual" imensa esse tipo de "dúvida". Pra começar, tá cheio de feminista que é contra mulheres trans usarem banheiro feminino (e nem por isso vocês gostam dessas feministas, não é mesmo, reacinhas?). Eu sou totalmente a favor de mulheres trans usarem banheiro feminino porque mulher trans é mulher, não é homem. 
Fora isso, não acredito que todo homem seja um estuprador em potencial. Mas vale lembrar que existem dezenas de casos de estupro e assédio em banheiros femininos. E, adivinhem? Esses atos criminosos não são cometidos por mulheres trans ou travestis, e sim por homens cis (ou seja, homens que sempre se identificaram e foram identificados como homens). Homens cis não vão se vestir de mulher para assediar ou estuprar mulheres nos banheiros femininos. Eles já estupram e assediam -- vestidos de homem mesmo. Portanto, mais uma vez, se reaça realmente quer combater estupro (o que eu duvido muito, vendo o número imenso de reaças que negam a existência de estupros), vocês estão escolhendo o alvo errado. Não são mulheres trans ou feministas que estupram. São homens! (e, mais uma vez, dizer que quase todo estuprador é homem é diferente de dizer que todo homem é estuprador).
- Feministas estão usando o caso para promover o feminismo.
Não estamos "usando o caso". Estamos revoltadas com a cultura do estupro, e muito antes deste caso em particular. A comoção existe, e sempre há um caso que serve de pontapé, assim como aconteceu com o Nenhuma a Menos, para protestar contra feminicídios na Argentina. Reaças são mesmo muito ruins da cabeça para achar errado realizar protestos contra estupros e feminicídios.
Depois do "feministas querem legalizar o aborto por causa do ego" (by Sara Inverno) e "feministas querem legalizar o aborto para praticar sexo ilícito", temos o "a revolta feminista é apenas por likes". Sério, um publicitário escreveu isso. Depois apagou.
Página no Facebook criada ontem, com o nome completo da vítima 
- Os heróis das denúncias do estupro não são as feministas, são os reaças.
Essa é bem bizarra, mas eu explico. O mesmo reaça que semana passada disse que a masculinidade salvou Ana Hickmann concluiu agora que houve heróis no caso do estupro coletivo -- os reaças zueros que passam a vida atacando ativistas na internet. Sim, segundo o gênio, foi um desses bolsonazis que printou os primeiros tuítes dos caras se vangloriando do estupro e pediu pra denunciar. 
Esse cara aqui, que evidentemente se importa muito com as vítimas.
Mais opiniões do "herói" que faz mais pelas mulheres do que todas as feministas juntas desde a história do mundo (ops, não, esse slogan é pra marca Bolsonaro).
Outro "herói", segundo o reaça, é um misógino obcecado por mim, um que já escreveu que sonha "com o dia em que ainda vou quebrar todos os dentes dessa mal comida", referindo-se a mim, e que é tão stalker meu que disse que observadores aqui no meu bairro (ou seja, ele pôs gente pra me seguir) garantiram que eu estava dando em cima de um homem casado (e não era meu marido! Até hoje não sei de quem eu estava dando em cima). 
Martorelli, "herói" das mulheres há anos
Esse herói chamado Martorelli já na quarta teria levado prints à Delegacia da Mulher no Rio. Um cara tão bem intencionado! Tanto que desde o início ele mudou seu avatar para o nome de "Marmitinha dos 33". Porque, né, esse sim se importa com vítimas de estupro.
Agora todos esses "heróis" estão celebrando que, segundo eles, este caso de estupro que causou comoção não foi estupro. A vítima era mesmo uma vadia, dizem eles. Eles comemoram que um laudo não apontou indícios de violência (porque a vítima demorou dias para fazer o exame) e aguardam ansiosamente o documento do secretário de segurança pública do Rio que pode "contrariar o senso comum". Para eles, será o fim de uma farsa (não foram eles os heróis que a divulgaram?) e o fim do feminismo.
Qual a novidade? Reaças acham que toda denúncia de estupro é mentirosa.
Cristiana Bento, a delegada encarregada do caso, já declarou: "Estupro está provado". O vídeo e o depoimento da vítima provam o abuso sexual. E ainda: "Não foram colhidos indícios de violência, o que não quer dizer que ela não aconteceu".
- A culpada pelo estupro não foi a cultura do estupro, e sim as feministas.
É tanta bobagem junta que não dá nem pra argumentar. Mas eu adoro como reaças dão às feministas muito mais poder do que nós realmente temos. Porque olha só, sem dinheiro, sem programas de TV ou colunas nos jornais a nosso dispor, sem igrejas para espalhar nossa ideologia, já conseguimos causar esse estrago todo! Acabamos com a civilização! Infelizmente, ainda não conseguimos acabar com o machismo. 
Do guru da extrema direita
O ódio contra as feministas virou pauta da direita. Já faz tempo, claro, mas esse ódio pode ser visto claramente no caso do estupro coletivo. Óbvio que isso tem fins políticos: o de tentar enfraquecer a esquerda (pois a enorme maioria das feministas é de esquerda, e a esquerda é feminista -- ainda que muitos de seus membros sejam machistas), e o de mais uma vez atacar as feministas, já que nós incomodamos e os reaças nos veem (corretamente!) como inimigas. 
Tuíte da Sara Winter
Mas é perturbador como reaças jogam baixo. Uma "ex-feminista" disse que os homens se f*deram a vida toda, em toda a história, fazem tudo para dar uma vida segura às mulheres, "e ainda assim vocês reclamam? Vão lavar uma louça!". Pois é, somos muito ingratas com o patriarcado. 
Outra começou um vídeo bradando que é contra os estupradores, mas em questão de segundos ajustou o seu ódio e passou os outros 3,5 minutos chamando feminismo de "movimento de bosta". 
Ela, e o outro reaça que fez "textão", disseram que ninguém é a favor do estupro, que esses caras não existem, que se a gente tem amigos que chegam dizendo que se aproveitariam de uma menina bêbada pra transar com ela, o problema está nas nossas amizades, não na sociedade. Porque, sabe, reaças não falam isso! É tudo invenção nossa! 
Ahn, reaças falam isso até na televisão em horário nobre, e vocês os aplaudem por isso!
Quer outro exemplo de ódio contra feministas? Rayzza Ribeiro, de 22 anos, foi encontrada morta, carbonizada, numa escola em São Pedro, RJ. Ao lado, algumas das mensagens sobre o assassinato da jovem, que era feminista.
Reaças nos odeiam tanto que chegaram a fazer um selo de "Eu luto pelo fim do feminismo" para se contrapor ao "Eu luto pelo fim da cultura de estupro", que muitas feministas e mulheres em geral colocaram em seus perfis. Que bom que vocês lutam por alguma coisa, reaças.

P.S.: Ontem gravei um breve vídeo sobre o caso para o Fantástico, mas imagino que não tenha ido ao ar, porque o enviei tarde, já que estava viajando. De todo modo, se alguém quiser ver o vídeo, está aqui. Não deixei os comentários abertos porque não quero receber mais um monte de insultos e ameaças, além de justificativas pro estupro da menina. 
P.S.2: O Labic fez uma análise interessante sobre como funcionou a rede de denúncias e solidariedade no Twitter, referente a este caso. Fico feliz por ter sido citada.

sábado, 28 de maio de 2016

SOBRE JOHNNY DEPP E OUTRAS ATROCIDADES

Pessoas queridas, estou viajando, na praia, e esta é a primeira vez em quase 48 horas que acesso a internet. Não tenho tempo para escrever nada, mas queria deixar vocês com algumas notas desconectadas.
Em primeiro lugar, um mentecapto qualquer descobriu de quem foi a culpa do estupro coletivo no Rio. Foi das feministas! Para provar, ele põe no seu texto um trecho fora do contexto de um guest post publicado aqui em 2013. Sabe, guest post? Que não foi sequer escrito por mim, mas por alguma convidada, como fica claro no começo de todo guest post?
Segundo: ressuscitaram um tuíte típico do Danilo Gentili. Este aqui:

O reaça disfarçado de humorista nunca perdeu a chance de ser misógino, racista, homofóbico, tudo de ruim. Certamente esta continua sendo a opinião do "comediante" sobre fazer sexo com alguém que não tem como consentir. Ah, e nome disso é estupro.
Terceiro, referente à imagem que abre o post. Johnny Depp está sendo acusado de espancar a esposa, agora ex, a atriz Amber Heard. 
A Fabiana deixou um comentário ótimo: "Sobre o Johnny Depp: podem observar a quantidade enorme dos comentários no mundo todo dizendo que 'ele é inocente até que se prove o contrário', mas apressando-se rapidamente em dizer que a Amber Heard 'se maquiou' e é interesseira (gold digger). Vejam a negação em ver o ator como marido abusador, e a pressa para classificar a atriz como 'mentirosa e interesseira'. Uma mulher é espancada e não denuncia, a culpa é dela. Se denuncia, é mentirosa, caluniadora, interesseira, vadia, enfim, N adjetivos negativos vindo dos hipócritas".
Eu volto amanhã. Mas que não dá vontade nenhuma de voltar pra este mundo, isso não dá mesmo...

sexta-feira, 27 de maio de 2016

DEZ FORMAS COMO O PRIVILÉGIO MASCULINO APARECE NA IGREJA

Pastores e membros

Faz pouco tempo publiquei um excelente guest post de uma leitora que é cristã e feminista, e não vê conflito algum nisso. 
Quando fui ilustrar o post, descobri que a teologia feminista não tem nada de novo. Muitas mulheres religiosas são feministas e combatem o machismo dentro de suas igrejas. Encontrei este belo texto da cristã (acho que batista) Gail Wallace e pedi para a maravilhosa Elis traduzi-lo. Sei que o texto está longe da realidade da maior parte dos leitorxs aqui do blog, mas acho que vale a pena mostrar que existem pessoas que discutem gênero dentro das igrejas.

Realize seus sonhos, diz mãe ao filho.
Realizes nossos sonhos, diz pai à
filha
“Você é um homem branco americano com formação superior. O mundo está à sua disposição -- nunca se esqueça disso!”
Andei pensando muito no privilégio masculino ultimamente. Bem, não só ultimamente. Eu ouvi esse diálogo em um Starbucks em Washington, D.C. há mais de um ano e ele ainda me persegue. O dicionário Oxford define privilégio como “um direito, vantagem ou imunidade especial concedido ou disponibilizado apenas para uma pessoa ou grupo”. Falando de forma simples, privilégio tem a ver com como os grupos na sociedade acomodam e tratam você.
"Qual o problema?" pergunta o homem.
"É a mesma distância!"
Acredito que muitos cristãos estão se conscientizando mais quanto aos privilégios raciais e de classe, mas não vejo o mesmo nível de conscientização com relação ao privilégio masculino.
Nos últimos meses, tive muitas conversas com amigos que não concordam que eles são “privilegiados” em suas comunidades de fé e que as mulheres, como resultado, estão em desvantagem. Eu vinha orando e refletindo profundamente sobre como superar esse impasse quando me deparei com a Lista de identificação do privilégio masculino. Há muitas dessas listas por aí, mas essa tinha muitos exemplos que eu acredito que se aplicam também ao contexto das igrejas. Eu reescrevi alguns através do meu ponto de vista como uma mulher na igreja evangélica conservadora.
1. O privilégio masculino é refletido no momento em que um homem se pergunta por que as pessoas ainda discutem gênero.
E é refletido ainda mais se ele se sentir ofendido ou impaciente quando outra pessoa chamar atenção para o privilégio e questioná-lo. “Devemos olhar além do gênero” é uma frase dita frequentemente por pessoas para quem o gênero não é uma questão ou uma negociação diária.
Privilégio masculino não existe
2. Privilégio masculino significa nunca ter sua inteligência ou suas qualificações questionadas por causa do seu gênero.
Provavelmente, as pessoas não irão presumir que você não sabe lidar com dinheiro, que você é enganado com mais facilidade ou que sua capacidade de tomar decisões importantes depende do período do mês,
3. Se quiser se candidatar a uma posição na equipe pastoral, você pode ter certeza de que seu gênero não será um problema.
Na realidade, a menos que se trate de um ministério voltado para crianças ou mulheres, as circunstâncias estão a seu favor. Quanto mais prestigiado o cargo (pense em algo como "pastor presidente"), mais as chances estão a seu favor. A decisão de contratá-lo não será influenciada por pressuposições sobre você ter ou não filhos pequenos em casa ou sobre você poder querer começar uma família em breve.
4. Se você fizer o mesmo trabalho que uma mulher, provavelmente as pessoas vão achar que você fez um trabalho melhor mesmo que os resultados tenham sido iguais.
E se fizer um sermão de domingo, você pode ter certeza de que todas as pessoas do seu gênero não passarão por um julgamento (e você não precisará se preocupar quanto a onde colocar o equipamento de microfone ou qual mensagem suas roupas passam).
Todo mundo aqui? Ok, vamos votar!
5. Os grupos de dirigentes da sua igreja e sua denominação serão compostos em sua maioria por pessoas do seu gênero.
As chances são de 10:1 de que o pastor presidente, pastor auxiliar e evangelista também sejam homens. Sempre que participar de um culto, você verá pessoas de seu próprio gênero representadas amplamente à frente.
6. Como homem, é mais provável que as pessoas lhe confiem responsabilidades, ainda que você seja novo na igreja.
Provavelmente, pedirão sua opinião sobre questões importantes da igreja. As pessoas vão ouvir o que você tem a dizer e sua opinião será levada a sério. (Se você for casado, é mais provável que peçam que sua esposa participe dos ministérios para crianças ou traga lanches.)
7. Quando participar de reuniões na igreja, você pode ser emotivo ou assertivo sem ser visto de forma negativa.
É mais provável que os homens do grupo façam contato visual com você e, em média, você não será interrompido por mulheres que participam da reunião tanto quanto as mulheres são interrompidas pelos homens. Provavelmente, você não se preocupará se precisar ir até seu carro no estacionamento da igreja sozinho tarde da noite.
8. Personagens bíblicos masculinos serão retratados como personagens principais e exemplos positivos 90% das vezes no currículo educacional.
Personagens masculinos terão destaque na maioria das aulas dos currículos das crianças, dos currículos dos grupos de jovens, no sermão de domingo, nos pequenos grupos de estudo... vocês entenderam.
C. S. Lewis: de todos os homens
maus, homens maus religiosos
são os piores
9. Você pode ter certeza de que a linguagem usada em todos os aspectos da adoração coletiva o incluirão de forma clara.
Isso vale para qualquer parte das escrituras que for lida (independentemente da tradução usada), das citações mencionadas e das canções de adoração escolhidas. Não será esperado que você traduza ou interprete quando os pronomes de gênero se aplicam ou não a você.
A representação errada de Deus
como masculino têm ferido
mulheres em todas as áreas de
suas vidas
10. Deus será representado como homem e descrito em termos masculinos 90% das vezes.
Eu sei que há situações na vida em que os homens também ficam em desvantagem, e sei que o fato de o privilégio masculino existir não significa que a vida dos homens é livre de problemas. Mas a realidade é que, quando um grupo é privilegiado em detrimento do outro, o outro grupo sofre e nós não estamos vivendo completamente a mensagem do evangelho. 
Embora seja um incentivo ver cada vez mais homens defendendo a inclusão total das mulheres na igreja, ainda temos um longo caminho pela frente. Eu acredito que, na maior parte, os homens têm boas intenções com relação a suas irmãs em Cristo.
Mas, irmãos, até que vocês reconheçam seus privilégios masculinos e o impacto que ele tem sobre nós, é difícil ter um diálogo produtivo sobre o que podemos fazer para que o Reino aqui na terra seja mais parecido com o Reino dos Céus.