sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

BOLÃO DO OSCAR: ACABA HOJE!

- Você achava mesmo que deixaríamos o Google acabar com o bolão da Lola?


Gente ótima, vamos encerrar o meu tradicional bolão do Oscar logo mais, às 23:59 em ponto! Não deixe de apostar, nem que seja só no grátis, bem aqui
Pra apostar no bolão pago, ainda dá tempo também. É só transferir R$ 20 pra uma das minhas duas contas -- Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760 -- e mandar um email pra mim (lolaescreva@gmail.com), com cópia pro Júlio (jcaoalves@gmail.com), com o comprovante. Faça as apostas aqui
Eu vou fazer as apostas agorinha mesmo, com muito atraso. E domingo apareça aqui no meio da folia pra comentar o Oscar. 

DEIXEM DE ENROLAR! BOLÃO DO OSCAR É SÓ ATÉ ÀS 23:59 DE HOJE

- Já passou da hora de entrar no bolão do Oscar da Lola!

Pessoas queridas, a cerimônia do Oscar será este domingo, no meio do carnaval (vamos assistir juntos?), e só é possível entrar no meu tradicional bolão até hoje, sexta, às 23:59. Depois disso, encerra automaticamente.
Isso dá tempo para o querido Júlio César organizar todas as tabelas (duas) e enviá-las por email a todos os participantes. E ter as tabelas em mãos possibilita que você acompanhe a cerimônia torcendo pros filmes que você apostou. 
Lembre-se de apostar em quem você acha que vai ganhar, não necessariamente em quem você quer que ganhe. Entre no bolão grátis (leva cinco minutos pra você fazer seus chutes), bem aqui
Pra apostar no bolão pago (que eu recomendo!), é um pouquinho mais complicado, mas nada do outro mundo. Transfira R$ 20 pra uma das minhas duas contas -- Banco do Brasil, agência 3653-6, cc 32853-7, ou Santander, agência 3508, cc 010772760 -- e mande um email pra mim (lolaescreva@gmail.com), com cópia pro Júlio (jcaoalves@gmail.com), com cópia do comprovante. Daí é só caprichar nas apostas aqui
Eu não gostei muito de Um Limite Entre Nós (Fences), porque realmente parece teatro filmado e, pior de tudo, porque o terceiro ato e o final redentor soaram muito como forçação de barra pra mim.
Mas Viola Davis é favorita ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, o que é injusto. Não porque ela não seja uma senhora atriz merecedora de todos os prêmios, mas porque ela não é coadjuvante no filme. Aliás, ela é a única atriz. Se concorresse no prêmio principal, provavelmente seria favorita também. É o ano dela (finalmente!). 
E será que Denzel Washington leva seu terceiro Oscar pra casa no domingo? 
Casey Affleck (no superestimado, a meu ver, Manchester à Beira Mar) tem levado quase todos os prêmios, mas Denzel recentemente ganhou o SAG Awards (o prêmio dos atores e atrizes), e nos últimos doze anos, onze atores que ganharam o SAG ganharam o Oscar (a exceção foi Johnny Depp pelo primeiro Piratas do Caribe, que perdeu a estatueta pra Sean Penn por Sobre Meninos e Lobos). Ainda não sei em quem apostar. Pois é, confesso que deixei pra fazer as apostas no bolão na última hora. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

DIREITA SÓRDIDA ATACA FILHA DE DEPUTADA

Estou indignada com o que a direita anda fazendo. A última foi pegar fotos de uma menina de 16 anos, divulgá-las à exaustão, para expor a garota. Mais do que a menina, o alvo é a mãe dela, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). 
O deboche com a Justiça é tão imenso que isso tudo se deu ontem (e continua a todo vapor hoje), um dia depois da Câmara dos Deputados incluir a divulgação de fotos sem consentimento na Lei Maria da Penha (afinal, esta é uma questão de gênero). Parece um jeito de dizer: "Ah, apesar dos deputados fundamentalistas, vocês aprovaram uma lei para proteger as mulheres de um problema comum que as aflige? Olha aqui o que a gente faz com a sua lei!"
Direitos da criança e do
adolescente
Tem outra lei, esta bem mais antiga, que os reaças sempre desrespeitam: a do ECA (Estatuto do Menor e do Adolescente), que não permite a divulgação de fotos de menores de idade (o artigo 17 trata da preservação da imagem). Como várias fotos que circularam eram muito provavelmente montagens com a menina nua ou seminua, isso incorre em outro crime. Fere o artigo 241 do ECA, que proíbe pornografia infantil. 
Mas reaças asseguram que estão fazendo esse estardalhaço por uma boa causa. 
Não, não é pra atacar uma das maiores adversárias de Bolsonaro, imagina (se você está curioso em saber por que o nome "Champinha" veio à tona esta semana, é justamente pelos ataques a Maria do Rosário, odiada por reaças por defender direitos humanos). Não, não é pra tratar uma adolescente e sua mãe como criminosas. Não, não é pra caluniar toda a família (incluindo o marido e ex-marido da deputada). Eles estão divulgando fotos de uma menor de idade como se não houvesse amanhã porque estão (vocês estão sentados? aqui vai:) preocupados com a menina. Porque a gente sabe como reaças querem bem às mulheres... 
Este reaça sugere que quem está
divulgando as fotos da filha da
deputada é a própria "esquerda
vagabunda"
Um vlogger reaça mais famosinho, mas não menos asqueroso, disse, quase chorando, estar preocupadíssimo com a menina (tão preocupado que passou vários minutos do vídeo falando do caso Champinha), e clamando que a sociedade, representada por ele, claro, quer saber o que se passa com essa pobre garota. Ele até seria contra a divulgação das fotos se elas fossem falsas ou tivessem sido manipuladas, mas, se forem verdadeiras, elas precisam ser mostradas e, a mãe, responsabilizada. É até o caso de tirar a guarda dela! (implícito nessa acusação está o ódio contra mulheres que têm carreira profissional, porque se tivessem ficado em casa com os filhos, eles ficariam longe das drogas). 
Outro reaça assume que divulgou as fotos (e que todos nós deveríamos fazer o mesmo) pra levar o caso à Justiça, porque a menina, "usuária de drogas, magérrima, anoréxica, quase morrendo", precisa ser salva da própria mãe e, possivelmente, do padrasto: "Não é uma questão de expor a fraqueza e os problemas de uma família, não, é uma questão de expor o problema de uma mulher que defende criminosos, está aí para poder cumprir a agenda socialista de instaurar o caos na sociedade". Ou seja, pelo jeito não tem nada a ver com a filha, o importante é expor a deputada. 
(Nada de novo nisso. Olavo de Carvalho, o guru da direita brasileira, já ensinou há mais de uma década como se deve tratar esquerdistas). 
O rapaz também diz no vídeo, caso alguém tivesse dúvida sobre suas preferências políticas: 
Bolso encosta seu dedo no peito da
deputada, em 2003
"Essa mulher [Maria do Rosário] é uma criminosa, uma mequetrefe sem vergonha vagabunda, que é por causa dela que teve todo aquele problema lá com o Jair Bolsonaro" (na realidade, "todo aquele problema lá" foi causado porque o fascistoide disse a ela, pelo menos duas vezes, com onze anos de diferença, que ela "não merecia" ser estuprada; quem causou o problema foi ele, não a vítima, ô infeliz).
Aliás, na primeira vez que Bolso disse a Maria do Rosário que ele não iria estuprá-la (obrigada, deputado!) porque ela "não merece", ele também disse: "Já que você é contra a redução da maioridade penal, e defende políticas sociais para esses vagabundos, então coloque o Champinha para dirigir o carro da sua filha". Em 2003 o nosso fascista-mór já colocava a filha da deputada na jogada!
A direita não tem limites mesmo. Ela é cínica, hipócrita, virulenta. E muito mais organizada que a esquerda. Porque este ataque a Maria do Rosário (usando sua filha, expediente mais sórdido!) não é individual, não vem de uma ou outra pessoa, vem de grupos fascistas, articulados através de chans e sites de direita. Como tantos, é um ataque orquestrado
E, óbvio, eles não vão parar. Eles vivem disso, de factoides e ataques pessoais. É essa a direita que temos. É esse o nível do fascismo e da desfaçatez que precisamos combater. #SomosTodosMariadoRosario

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

GUEST POST: ATÉ AS DEPUTADAS "FEMININAS, NÃO FEMINISTAS" SOFREM NO CONGRESSO

Publico hoje este ótimo texto de Talita Victor, assessora técnica da Liderança do PSOL na Câmara e militante da Frente de Mulheres do DF e Entorno.

Muitas devem já ter se perguntado: “Por onde andam os fundamentalistas do Congresso Nacional? O que estão planejando para 2017? ”
Bom, daqui do front no DF, percebemos que neste início de ano, eles organizaram uma ou outra manifestação antiaborto em frente ao Supremo Tribunal Federal; fizeram algazarra em audiências públicas na comissão do “Escola sem Partido” (PL 7180/2014); pediram a nomeação de Ives Gandra para o STF (mas venceu o jardineiro paraguaio); e o mais importante, NÃO votaram em Bolsonaro para Presidência da Câmara.
Enquanto a chamada “agenda econômica” segue a todo vapor, sobretudo com as Reformas da Previdência e Trabalhista, seguimos aguardando (desconfiadas) o retorno dos trabalhos da Comissão Especial do Nascituro (PEC 58/2011) e a divulgação do relatório da SUG 15/2014 no Senado -- que está com o Senador Magno Malta (PR-ES), e sabemos que será pelo arquivamento da matéria.
Explicando:
- PEC 58/2011 visa garantir direitos do nascituro (inviolabilidade da vida desde a concepção) na Constituição Federal (é sempre importante lembrar que a PEC em questão não fala nada sobre nascituro e, terminado o prazo para emendas na última semana, nenhuma foi apresentada com esse teor. Contudo, conforme alardearam no fim do ano passado, o relator Deputado Jorge Tadeu Mualen [DEM-SP] deve apresentar em seu parecer a emenda que constitucionaliza a inviolabilidade da vida “desde a concepção”); 
- SUG 15/2014 visa regular a interrupção voluntária da gravidez no Sistema Único de Saúde.
Ainda ontem, na toada do março que se aproxima, lideranças da bancada feminina na Câmara (bancada feminina não é o mesmo que bancada feminista, mas é o conjunto de mulheres deputadas federais, de todos os partidos, que se organizam por meio da Secretaria da Mulher [Procuradoria e Coordenação da Bancada] e, em geral, conseguem acordos para atuarem em defesa de proposições que combatam a violência e promovam ampliação da representatividade da mulher na política) aprovaram três projetos.
O primeiro foi o importante PL 3792/2015 (Maria do Rosário PT-RS e outros da CPI de combate ao tráfico de crianças e adolescentes), que cria um sistema de garantias para crianças e adolescentes que sejam testemunhas ou vítimas de violência. A relatora foi Laura Carneiro (PMDB-RJ). Em princípio, tentou-se estender esse protocolo de escuta especializada e depoimento especial às mulheres não adolescentes vítimas de violência.
O contexto em que a bancada feminina decidiu por isso foi maio de 2016, quando o caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, que teve ampla repercussão nacional e internacional, pautou o debate sobre cultura do estupro. Mas não foi possível. O machismo as impediu. Por um lado, é mesmo implicância com tudo o que diz respeito aos direitos das mulheres. Mas elas cederam porque mais de 70% das vítimas de estupro são meninas.
Ah! Mesmo assim, meia dúzia de bolsonaros e policiais votaram contra a matéria por entenderem que o projeto cria privilégios para “bandidos menores de idade”.
O quarto projeto que a bancada de mulheres na Câmara quer aprovar, e está há três anos tentando pautar em Plenário, é o PL 7371/2014, oriundo da CPI Mista de Enfrentamento à Violência contra a Mulher.
Esse projeto cria um fundo nacional para políticas de enfrentamento à violência contra a mulher que, além de contar com dotações do Orçamento da União, tem rendimentos do próprio fundo, doações e recursos provenientes de acordos ou convênios firmados com entidades públicas ou privadas, nacionais, internacionais ou estrangeiras.
Ofereço um doce a quem adivinhar o que os fundamentalistas leram em todas as linhas desse projeto. Isso mesmo! Para eles, isso é apenas “dinheiro de ONG estrangeira e países abortistas para financiar o aborto no Brasil”.
E o que fizeram os deputados da bancada “pró vida e pró família” enquanto pensávamos que pudessem estar “dormindo no ponto”? Apresentaram emendas absurdas, obstruíram e, finalmente, trouxeram da Casa Civil de Padilha a “solução”.
Ontem, em reunião com deputadas da bancada feminina, a maioria da base desse (des)governo, apresentou um texto substitutivo que, em síntese:
1) prevê destinação de R$ 40 milhões da loteria e outros R$ 40 milhões da arrecadação de multas e juros de mora incidentes sobre tributos administrados pela Receita Federal;
2) cria mecanismos de transparência da gestão dos recursos;
3) proíbe expressamente a destinação de recursos desse fundo para quaisquer “serviços, equipamentos ou atividades que envolvam, direta ou indiretamente, o aborto provocado, incluindo os casos especificados no art. 128 do Decreto Lei 2.848/1940” (Previsões de aborto não criminalizado pelo Código Penal);
4) cria uma comissão composta de ao menos dez representantes de entidades de defesa da “vida nascitura” para monitorar o fundo.
Sobre a reunião de ontem, entre bancada feminina e bancada fundamentalista, participaram algo em torno de 15 deputadas e 6 deputados. Sim, é costume da bancada “pró vida e pró família” se fazer representar apenas por homens e instrumentalizar vez por outra duas ou três mulheres.
Havia ali deputadas do PMDB, DEM, PSD, PP, PRB, PPS, PC do B, PT, que se alternavam entre apelos, sugestões, relatos de vida.
Pediam que não fizessem esse tipo de barganha com a pauta feminina; que elas não tinham a intenção de mencionar aborto no projeto, porque esse tema não as unifica; que o “aborto legal” quem faz é o SUS e o fundo deveria ser gerido pela SPM e não pelo Ministério da Saúde; que mulheres morriam vítimas de feminicídio enquanto discutiam naquela sala, que mulheres eram estupradas e agredidas enquanto falavam friamente de uma consequência cruel dessa violência (aborto). Uma deputada amazonense, evangélica, perguntou a eles se pensavam que “mulheres faziam aborto por prazer”.
Muitas chegaram a dizer que se sentiam violentadas com aquela proposta deles e da Casa Civil. Uma paraense disse que não acreditava que aquilo tinha o aval de Michel, um defensor das mulheres, na visão dela.
Falaram de suas histórias como mães, de seus partos, dos filhos que perderam, das agressões que já sofreram ou presenciaram na família. Uma deputada negra, também evangélica, também da base de Temer, que chegou a conhecer a violência das ruas, quase foi aos prantos diante daqueles senhores.
Uma das mais empenhadas no diálogo, liderança fluminense, chegou a tentar um acordo de cima do muro, sugerindo que deixassem no relatório (o relator é o Pastor Eurico PSB-PE) apenas uma previsão de que não se aplicariam recursos do fundo em ações proibidas por lei. Nada adiantou.
Eles seguiam intransigentes e tão somente se limitavam a ensiná-las significado de “profilaxia da gravidez”, que anencefalia não estava no 128 do Código Penal, que o legislador de 1940 estava certo, que o 5069 é muito bom mesmo. Chegaram a ameaçá-las, em tom de sugestão, dizendo que proporiam comissão externa para investigar o Hospital Perola Byington, em São Paulo.
Um deles teve o despautério de afirmar que se alguém ali podia falar de violência contra a mulher, esse alguém seria ele, e não por ser um homem violento, pois tinha certeza que não, mas por ter visto a mãe apanhar do pai. Argh!
Aos poucos os ânimos foram se arrefecendo. A reunião foi se esvaziando. Algumas saíram cabisbaixas, outras furiosas, outras ainda tentando mediar...
É, companheiras, esse é um jogo muito violento também para as que se entendem apenas “femininas”. Eles puseram os paus na mesa.
Várias deputadas ali pareciam não compreender a raiz que estava em disputa. Mas eles não. Eles sabiam muito bem o que Putin faz na Rússia com a despenalização da violência doméstica. Eles sabem o que significa o decreto de Trump, que reedita Reagan na Conferência Internacional das Nações Unidas sobre a população, na Cidade do México em 1984.
Elas podem não entender dessa forma, podem não querer falar de aborto. Mas eles sabem que negar o direito de escolha, negar serviços públicos a mulheres que abortam é, sim, uma violência cínica e institucional contra as mulheres. 
Por isso, aqueles homens não querem deixá-las aprovar o PL 7371/2014.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

OS ENCANTOS DO CHILE

Vou falar um pouquinho da viagem que Silvio e eu fizemos em janeiro, pra Santiago e Buenos Aires. É mais pra registro meu, pra que eu me lembre. E já nem me lembro muito porque tem duas semanas que voltamos. Como talvez fique um post grande demais, melhor falar só de Santiago, por enquanto. Depois dedico outro post a Buenos Aires. 
Os Andes vistos do avião (provavelmente com photoshop, porque o ar não estava limpinho assim)
Belo prédio que encontramos
sem querer (clique p/ampliar)
Nunca tinha estado no Chile, que é muito bonito. Mas é caro. Chegamos e já trocamos cem reais no aeroporto. A cotação do aeroporto obviamente é ruim (em Buenos Aires não é!), então deu apenas 17 mil pesos chilenos. E sabe o que deu pra fazer com esses 17 mil (cem reais)? Praticamente nada: torramos em seis empanadas meio mixurucas, uma garrafinha d'água, um copo de suco, e dois sorvetes. Não tô exagerando! Gente, cem reais!
Na cidade, conseguimos uma cotação melhor. Cem reais foram trocados por 20 mil pesos. 
Acontece que 20 mil pesos se vão com uma rapidez estonteante. Só pra ter uma ideia, é raríssimo algo que custe menos de mil pesos (R$ 5). Tirando um ou outro item no supermercado, só encontrei duas coisas que custavam 500 pesos (R$ 2,50): garrafinha d'água vendida na rua (alguns vendiam por 600 pesos) e jogar xadrez na Plaza de Armas. Silvinho jogou bastante.
No domingo que estivemos lá (ficamos uma semana), no começo da noite, na mesma Plaza de Armas, assisti a uma competição de dança que tem sempre. É muito bacana ver pessoas de todas as idades e tipos físicos dançando alegremente a cueca, dança típica chilena (quer aprender?). Me lembrou o pessoal dançando tango na rua em Montevidéu.
Privatizando um banco em Santiago
Fizemos duas excursões pagas (pela Aguiastour, agência da Juliana, uma moça de Fortaleza que mora em Santiago; ela nos forneceu o transfer de chegada, do aeroporto a Santiago, como cortesia; na volta, cobrou 18 mil pesos). 
Subindo as escadas do ex-Congresso Nacional do Chile, no centro de Santiago. O novo fica em Valparaíso, desde 1990. Ao fundo, nosso guia Pedro
Em ambas o nosso guia foi Pedro, um chileno muito simpático e atencioso (minha única queixa: ele gosta do Pinochet! Não pode! Mas devo acrescentar que ele foi super gentil e até me disse como era bonito ver um casal tão carinhoso um com o outro como eu e Silvinho, ainda mais depois de tantos anos -- estamos indo pro 27o), que nos deu um atendimento todo personalizado. 
A tour pelo centro custou 20 mil pesos por pessoa e foi legal, embora eu prefira algo com mais informações e explicações históricas. 
No entanto, o tour para Vina del Mar e Valparaíso, que dura o dia todo (27 mil pesos por pessoa), mais do que vale a pena! 
Nesta excursão, Pedro nos levou de carro junto com uma jovem e querida família de Fortaleza. Primeiro paramos em duas vinícolas. Não tenho grande interesse nisso, porque nem bebo, mas os lugares eram bonitos (e eu acho que nunca vi lhamas e galos tão de perto). 
Contatos imediatos com o Oceano Pacífico
Vina del Mar é linda e charmosa, e tem toda a pinta de um lugar rico. Foi emocionante botar o meu pezinho pela primeira vez na vida no Oceano Pacífico. É gelado. Toda a água que cheguei perto no Chile (isso inclui a piscina do apartamento que alugamos) era gelada. E olha que é verão! 
Pedro disse que eles estão acostumados com água gelada, então entram no mar sem grandes problemas, mas disse também que ninguém fica muito tempo na água de 11 graus (uma das vantagens de viajar pro exterior é valorizar o Brasil -- tem praia melhor no mundo que as nossas aqui do Nordeste?). 
Todo mundo tira foto desse relógio de flores dado pelos suíços aos chilenos, para comemorar a Copa do Mundo de 1962. Fica em Vina del Mar
Um dos pontos altos dessa excursão foi parar no meio do caminho entre Vina e Valparaíso pra ver os leões marinhos. Eles são divinos! Ficam numa plataforma abandonada brincando e se esbaldando ao sol pra todo turista babar. 
E nós turistas somos muito babões -- aplaudíamos a cada vez que um leão marinho tinha que escalar de novo a plataforma (a cada 3 minutos, pelos meus cálculos). E fazíamos "Ahhh!" cada vez que um leão marinho derrubava outro. Eu não ficava tão hipnotizada por bichinhos desde os esquilinhos em Detroit.
Em Valparaíso comemos e fomos a dois museus, um que era a casa de Pablo Neruda, La Sebastiana (não entramos, o ingresso estava caro, 6 mil pesos, e não tínhamos muito tempo), e outro, que era um museu da marinha. Lá estava a cápsula usada para salvar os mineiros soterrados. Mas eu fiquei fascinada mesmo foi com essa bomba com milhares de explosivos -- que, dizia a plaquinha, precisava ser acionada manualmente (devia ser a última missão de algum pobre marujo).
Ficamos num apartamento muito bom, muito bem localizado, central, uma quitinete que alugamos via Airbnb por R$ 800 (por uma semana). Tinha piscina, mas já falei das águas geladas do Chile? Eu tentei entrar uma vez e nunca mais.
Os sorvetes chilenos não têm comparação com os argentinos. O mais maravilhoso no Chile são as frutas. Elas estão à venda em cada esquina, e são todas perfeitas. Quando que eu vou comer morangos daquele jeito de novo? E nectarinas, e pêssegos, e peras? (o maridão se empaturrou também de framboesas e blueberries e pomelo). A gente acabou não indo a nenhum restaurante de comida peruana (que é o hit da culinária no Chile). 
E nem provamos o pastel de choclo (milho), que o Pedro recomendou. Aliás, só descobri no último dia que não era pastel, era um tipo de escondidinho (a empanada mais típica deles é a de pino, que nada mais é que carne moída, cebola e azeitona -- muito gostosa). 
Outra recomendação do Pedro foi visitar o Patronato, um bairro que vende roupas a preços populares. Fomos andando e comprei duas blusas por 3 mil pesos cada (R$ 15). 
O ar em Santiago não estava nada bom. Eles sempre têm problemas com incêndios, mas parece que este foi o pior dos últimos cinquenta anos. Uma névoa cobria a cidade, e os móveis amanheciam com cinzas. 
Gostei muito do que vi no Chile. As pessoas são simpáticas e pude praticar meu portunhol à vontade. Acabamos gastando um total de R$ 1.510 lá (sem contar o apê que alugamos ou as passagens aéreas). Não sei se voltaremos, porque é longe. Pra gente que mora em Fortaleza, equivale basicamente a cruzar o continente (ah, e uma coisa revoltante: no aeroporto de Santiago não tem um único bebedouro! As pessoas são obrigadas a comprar água. Leve sua garrafinha cheia).
Antes de ir pro Chile, fizemos escala no Rio. Mas era uma escala longa, umas 14 horas, tempo demais pra mofar num aeroporto. 
Não sei se vocês lembram que eu estava ansiosa procurando um motel (muito mais barato que hotel) perto do Galeão, mas é difícil encontrar isso na internet. Na última hora, um aluno querido que sabe tudo de turismo sugeriu uma suíte, via Airbnb, que fica na Ilha do Governador. 
E foi lá que nos hospedamos, na bela casa da Heidy, a poucos minutos do aeroporto, por R$ 109. E, de bônus, desfrutamos da companhia dos seus dois cachorrinhos adoráveis. Fica a dica.