quarta-feira, 2 de setembro de 2015

"ACOLHIMENTO, NÃO ORDEM OU CONSELHO": ENTREVISTA COM CAROL ROSSETTI

Dei pulinhos de alegria ao receber o fantástico livro Mulheres, e mais ainda quando perguntei se poderia entrevistar a magnífica Carol Rossetti, e ela aceitou. 
Eu demorei uma semana pra mandar as perguntas, mas Carol, eficiente que é, respondeu no mesmo dia! Foi ontem (clique nas imagens para ampliá-las):

Lola: Carol, desde que vi suas ilustrações pela primeira vez, adorei. Você está de parabéns pelo seu belo trabalho, tão completo e inclusivo. Fiquei muito feliz em receber o seu livro, e é um prazer te entrevistar. Já trocamos algumas ideias também, e sei que a admiração é mútua. Bom, antes que alguém grite “Get a room!”, vamos lá: conte como nasceu seu amor pela arte. Foi mesmo aos três anos quando você começou a rabiscar as paredes da casa dos seus pais?
Carol: Ah, pois então. Não sei exatamente quantos anos eu tinha. Gosto de desenhar desde que sou capaz de segurar um lápis. Mas isso é verdade: aos três anos, meus pais fizeram um pacto comigo. Eu podia desenhar nas paredes, contanto que respeitasse a fronteira do meu quarto. O resultado era o meio metro de rabiscos (até onde meu bracinho alcançava) por todas as minhas paredes, hehehe! 

E quando foi que esse amor pela arte se transformou numa profissão?
Bom, eu sempre quis que minha profissão fosse relacionada ao desenho. Muita gente dizia que eu devia fazer belas artes, mas eu não queria ser artista, não gostava desse título. Me falaram para fazer arquitetura, mas eu não tinha o mínimo interesse em desenhar planta baixa e planejar casas. Eu gostava de desenhar mulheres. Aí, quando eu estava no ensino médio, uma amiga minha que estava cursando design começou a me falar sobre o curso. Depois de ela ter me garantido que não tinha matemática, eu achei que fosse um boa ideia. Eu me formei em design gráfico em 2011, mas percebi que a profissão não envolvia tanto o desenho quanto eu gostaria -- apesar de ter me apaixonado pelas outras possibilidades do design. Eu percebi que, se queria ser ilustradora, precisaria desenvolver meus projetos pessoais e criar um portfólio por mim mesma.

Como surgiu a ideia de fazer esses desenhos de empoderamento? Você começou a divulgá-los logo no Facebook?
O projeto Mulheres surgiu exatamente nessa minha empreitada de criar um portfólio. Um dia, eu me propus um auto desafio de fazer um desenho por dia, e para garantir a disciplina, fiz uma página no facebook para postá-los. Na época, só meus amigos mais próximos e alguns familiares me seguiam. Eu já vinha lendo bastante sobre feminismo, já vinha observando algumas situações cotidianas que aconteciam com todas as mulheres de uma forma ou de outra, e resolvi criar umas mensagens positivas em relação a isso. Como só os meus amigos viam meus desenhos, não hesitei em usar uma linguagem super intimista. E assim eu comecei a postar os desenhos.

Uma das coisas que mais gosto no seu trabalho é como você é inclusiva. Acho que você foi capaz de representar uma diversidade enorme de mulheres. Ao mesmo tempo, você não reduz suas personagens a uma característica especial. Por exemplo, você fala que Jéssica é magrinha, e desenha uma mulher sem um braço. Você fala que Lana não tem vergonha de usar short, e desenha uma moça com vitiligo. Como veio essa preocupação com mostrar a diversidade?
Acho que é aquela história de que o que foi visto, não pode ser desvisto. Quando você começa a ler sobre feminismo interseccional, começa a observar melhor a questão de padrão de beleza, não tem como voltar atrás. Cada vez que eu estava no caixa do supermercado e olhava a estante de revistas, eu ficava incomodada de ver apenas mulheres brancas, jovens, magras e quase sempre seminuas. Isso sem falar das manchetes e chamadas. 
Chegava em casa pra ver uma série, o elenco era de 4 homens brancos, um homem negro, 2 mulheres brancas. Sempre uma proporção desse tipo. Isso começou a me incomodar, o problema de representação era muito explícito e ninguém estava falando sobre isso. Eu, como profissional de comunicação e imagem, senti que eu tinha a responsabilidade de mudar isso, pelo menos no meu trabalho. Não tenho como mudar o mundo inteiro, mas tenho como tornar meu trabalho mais diversificado e, quem sabe, inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Pelo que pude acompanhar, a recepção foi maravilhosa. Você esperava essa reação?
Eu não esperava nada! Eu tinha minha página, só umas 150 pessoas acompanhavam, era isso aí. E tava legal. Quando a coisa cresceu, foi tudo muito rápido e foi tudo muito legal. Eu recebo sempre muitas mensagens carinhosas, positivas, muito amor. Não tem nem como reclamar!

Mas óbvio que há críticas, imagino. Você poderia resumir quais as críticas que você mais ouve ao seu trabalho?
Tem críticas, sim. Acredito que existam dois tipo de críticas: as construtivas e as destrutivas. As primeiras são pessoas que me davam toques ótimos, sugerindo uma forma melhor de me expressar em relação a alguma coisa, chamando atenção para um grupo de pessoas que não estava sendo mostrado, ideias de como tornar o trabalho mais diverso, sugestões de palavras que evitassem uma dupla interpretação... Enfim, discussões que visam o crescimento do próprio projeto. E tem gente que só quer chamar pra briga, quer xingar, ofender, etc. Em geral, vinham de pessoas com interpretação de texto bem duvidosa, me acusando de incentivar as mulheres a abortarem (oi?) ou a odiarem os homens (mas gente?).

Vi que seu trabalho ficou tão popular que reaças e mascus decidiram parodiá-lo, trocando o que você escreveu por mensagens preconceituosas. Tem como impedir isso? Como você se sente ao ver sua obra sendo deturpada?
Ah, pois é, tem isso. Foi uma página criada com o objetivo exclusivo de fuguetar (como diz minha cunhada) meu trabalho. Todos os dias eles postavam várias imagens com texto trocado. Quer dizer, havia um comprometimento e ume dedicação em pegar minhas imagens, tirar o texto no photoshop, criar uma nova mensagem, montar a nova ilustração, postar no face e administrar a página. Aí eu me pergunto, SÓ EU QUE ESTOU TRABALHANDO, MUNDO? 
Bom, eu entrei em contato com um advogado e estou devidamente orientada sobre meus direitos autorais. A página citava na sua descrição a lei de liberdade de expressão, mas esqueceu que a lei também protege os direitos de autor. Bom, aquela página já foi removida, mas algumas dessas imagens continuam circulando pelo face em outras páginas. Sempre que eu vejo (ou que alguém vê e me avisa), eu denuncio para o facebook por desrespeito aos meus direitos autorais e eles tiram do ar em poucas horas. Mas esse povo é teimoso! Tem uma galerinha defensora da moral e dos bons costumes que A-DO-RA desrespeitar os direitos autorais dos outros, impressionante! Confesso que no começo fiquei chateada, hoje em dia já acostumei. Todo domingo à noite tem a hora da denúncia! :D

Você diz que, apesar de ser feminista, você demorou pra falar especificamente de feminismo num desenho, e que você explica que essa demora foi para não afastar as pessoas que têm uma ideia errada e negativa do que é feminismo. Eu fico impressionada que alguém deixe de perceber já no primeiro contato como sua obra é totalmente feminista. Você não?
Não. Ao longo do tempo, feminismo se tornou uma palavra com uma carga pesada e um suposto significado muito distorcido. A maioria das pessoas não sabe mesmo o que é feminismo. Na verdade, acho que pouca gente vai se identificar como feminista desde sempre. Eu sei que se me perguntassem se eu era feminista aos 15 anos, provavelmente eu diria alguma bobagem tipo, "não sou machista nem feminista, sou humanista", e ia achar que tava arrasando. Quando meu trabalho começou a aparecer mais na mídia, minha mãe me ligou um dia e falou comigo, "Carol, tão falando que seu trabalho é feminista", "Aham", "Mas não é, não, né?", "Claro que é mãe, totalmente feminista", "Mas você fala de muito mais coisa do que igualdade entre homens e mulheres", "E feminismo é isso também, mãe!", "É?", "É!", "Olha só que coisa... não sabia..." .
Quem já está no movimento tem sempre a grande questão: como furar a bolha? Como falar de feminismo para minha tia que não deixa meu primo brincar com bonecas? Não dá pra manter o diálogo apenas entre ativistas. Eu percebi que os conceitos básicos do feminismo relativos à igualdade, ao respeito, à dignidade eram coisas que as pessoas sempre tendiam a concordar, mas na hora de aplicar dava um nó na cabeça e a coisa não dava certo. 
Então eu resolvi falar de tudo aquilo que a gente fala dentro do movimento com vários nomes e conceitos através de história, de vivências, com personagens que soassem humanos e despertassem a empatia, a identificação. Para quem já era feminista, era tudo muito óbvio. Para quem nunca tinha pensado muito sobre feminismo, foram ilustrações legais que falavam de coisas que elas entendiam -- ou, quando não entendiam, elas tentavam entender. Foi uma abordagem muito simpática e não agressiva. Quando eu finalmente usei o termo "feminismo", muita gente falou tipo, "Ah, feminismo é isso? Acho que sou feminista então"! Foi um resultado fantástico.

Carol Rossetti com Fátima Bernardes
Outra das coisas que mais gostei no livro e nos seus desenhos de forma geral é que, embora você use o imperativo para falar com uma personagem e, assim, falar com o leitorado, você não tem um tom mandão. Você parece sugerir, mais do que impor. E, ao mesmo tempo, você não adota um tom condescendente (patronizing), tão comum nas revistas femininas, por exemplo. Ou seja, sua obra, além de visualmente linda, também está muito bem escrita. Como você conseguiu isso?
Ah, pois é. Muita gente disse que meu tom era condescendente, sim, recebi essa crítica de alguns. Na verdade, o tom do texto foi muito natural. É como eu converso com minhas amigas e amigos, e como eles conversam comigo. Quando comecei os desenhos, só meus amigos viam minhas coisas. Era natural para mim. Eu gosto de pensar em sempre ter uma linguagem não de ordem, não de conselho, mas de acolhimento. A questão para mim é incluir, acolher. Eu não quero que a mensagem final seja "você tem que fazer isso", mas sim "tudo bem, sua vivência é válida, seus sentimentos são válidos, você merece respeito. vamos buscar juntas uma solução, você não está sozinha". 

Como você escolheu os nomes das personagens?
Tudo aleatório! Mentira, um ou outro não foi. A Amanda, que não se depila, foi uma referência clara à Amanda Palmer diva da minha vida. Maya, que tem a pele bem escura, foi uma referência a Maya Angelou. Alguns nomes foram escolhidos por pessoas no Instagram: eu postava a foto da carinha da personagem (sem o texto) e pedia sugestões. Algumas foram pessoas que pediram pra ver o próprio nome no trabalho, e eu falava que tudo bem, mas que o tema seria aleatório. 

Adorei como o livro foi dividido, em seções como “Corpo”, “Moda”, “Identidade”, “Escolhas”, “Amores”. E a introdução também está ótima. Mas senti falta do número da página. Por que essa decisão de não numerar?
Ah, isso foi uma coisa que defini com a editora Sextante. Não foi propriamente para não numerarmos, mas queríamos colocar várias imagens sangradas na página, e aí o número da página às vezes não caía bem com o layout. Aí tiramos o número, mesmo.

Seus lindos desenhos já foram traduzidos para quinze idiomas, e os direitos do livro foram vendidos para EUA, Espanha e México. Você acha que sua obra tem apelo universal? O que nos une enquanto mulheres de todo o mundo?
Acho que sim, a luta por igualdade ainda é uma questão mundial, embora aconteça de forma diferente em cada país. Cada lugar tem suas especificidades, suas lutas e sua forma de lutar. Mas a questão das histórias é universal. Pode ser que nem toda mulher que não se depila passe pela mesma vivência da Amanda, mas isso pouco importa. A Amanda não é todas as mulheres, ela é Amanda. Algumas vão se identificar, outras, não. Mas todo mundo pode se sensibilizar com a história dela.

Acho que seu livro seria ideal para ser adotado em aulas de gênero nas escolas, para adolescentes. Quero dizer, se conservadores e religiosos permitissem que a existência dessas aulas. Você pensa em fazer uma obra mais didática para crianças e que lide com gênero e diversidade?
Sim! Na verdade, meu novo projeto que devo apresentar na semana que vem é exatamente isso. Vão ser tirinhas em quadrinhos, voltado para todas as idades (vulgo público infantil, mas os adultos vão gostar), tratando ainda dessas questões de gênero e diversidade. O projeto vai se chamar Cores (Colors), e vai ser bem fofinho!

Mensagem da Lola: Comprem o livro da Carol, em todas as livrarias! É uma obra de referência mesmo, pra olhar e motivar sempre. Ah, enquanto estava ilustrando este post, vi uma entrevista que ela deu em inglês. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

NÃO FAÇO ALIANÇA COM MISÓGINOS. MAS TEM QUEM FAÇA

O nome da vez é Matheus Sathler. Ele gravou um vídeo na semana passada que só agora ficou popular. No vídeo, ele diz:
"Estou aqui para dar um recado direto a presidanta Dilma Roussef. [...] Dilma Roussef, renuncie, fuja do Brasil, ou se suicide até o dia 6 de setembro às 23:59. Caso contrário, conforme anunciado, dia 7 de setembro a gente não vai pacificamente pras ruas. Vamos juntamente com as Forças Armadas populares do Brasil defender o povo brasileiro e te tirar do poder. [...] 
"Você que implementou a ditadura comunista de Cuba [Dilma tinha 12 anos], pegou em armas para fazer a mesma coisa no Brasil, e foi derrotada e será derrotada mais uma vez. Assuma o seu papel, tenha humildade pra sair do nosso país, porque caso contrário o sangue vai rolar, e não de inocentes. E vamos fazer um memorial na praça dos Três Poderes, um poste de cabeça pra baixo, que com a foice e o martelo nós vamos arrancar sua cabeça e pregar e fazer um memorial pra você. [...] Que Deus traga paz a nossa nação".
Sim, no final de um vídeo em que o rapaz ameaça degolar a presidenta, ele pede paz a Deus. É que, além de advogado e golpista, Matheus é pastor evangélico.
Talvez o nome seja familiar. Matheus chamou a atenção da grande mídia no ano passado, quando concorreu, pelo PSDB, ao cargo de deputado federal em Brasília. Durante a campanha, Matheus deu inúmeras declarações misóginas e homofóbicas. Uma de suas promessas era implantar nas escolas o "Kit Macho", cartilhas para "ensinar homem a gostar de mulher" (não é gostar no sentido de respeitar, bem entendido). Já seu "Kit Fêmea" é, segundo ele mesmo (que tem orgulho de ser machista), abertamente antifeminista, pois deseja "ensinar as meninas a serem femininas e a seguirem seu papel correto na sociedade". Tudo isso para "livrar a família da sua total destruição, como vem fazendo o PT, o partido de Satanás". 
Graças ao bom deus, Matheus teve apenas 1.415 votos, número insuficiente para se eleger, apesar de ter sido apoiado por Bolsonaro. Seu novo vídeo com ameaças à presidenta vem sendo denunciado, mas já há dois processos contra Matheus que correm em segredo de Justiça.
O que eu não me lembrava é que este ser repulsivo contou com um assessor em sua campanha em 2014: Emerson Eduardo Rodrigues Setim, vulgo "Engenheiro Emerson" (ele não tem diploma de engenheiro), mais conhecido entre os mascus como "Mijão". Emerson foi cúmplice de Marcelo Valle Mello na criação de um site de ódio que pregava pedofilia, estupro corretivo para lésbicas, legalização do estupro, e matança de mulheres, negros e gays. Além disso, o site ameaçou durante seis meses em 2011 e 2012 pessoas como eu e o deputado Jean Wyllys, e prometeu cometer um atentado no prédio de Ciências Sociais da UnB para matar "vadias e esquerdistas".
Em março de 2012, a Polícia Federal finalmente prendeu Emerson e Marcelo, após quase 80 mil denúncias na Safernet. Eles permaneceram presos durante mais de um ano, foram condenados a 6 anos e 7 meses de cadeia, mas saíram em maio de 2013. Desde então, Marcelo voltou a sua rotina normal de espalhar ódio. 
Semana passada, a revista Istoé fez uma reportagem sobre ele chamada "O criminoso da internet". Ele ficou furioso e renovou todas as ameaças de morte contra mim e meu marido.
Recados de Marcelo, ou Psy, em 29/8/15, em seu chan
Marcelo prometeu que seu próximo alvo de difamação será Silvio, meu marido. Os mascus já avisaram que vão criar e espalhar páginas inventando que ele é pedófilo.
Incriminar Silvio, a missão
Marcelo está desesperado porque sabe que sua volta à prisão está próxima. Ele já teve que depor na Polícia Civil de Curitiba, onde mora atualmente, e há um processo contra ele em Brasília. A PF está investigando.
Quando Marcelo e Emerson estiveram presos, os dois brigaram. Marcelo, também conhecido como Psy e Batoré, tem um chan em que os dois vivem se atacando anonimamente. Em alguns de seus últimos sites, Marcelo tem jogado a autoria de guias de estupro, por exemplo, em Emerson. O "Engenheiro", por sua vez, fez dezenas de vídeos atacando Marcelo. 
Beto Richa e Emerson
E chegou ao ponto de implorar para que eu, uma feminista que denuncia mascus, me aliasse a ele. Nas primeiras vezes o ignorei totalmente, mas no dia 19 de agosto permiti que dois de seus comentários fossem publicados no blog. Eu respondi educadamente que, para mim, ele é tão doente quanto Marcelo, e que eu jamais faria aliança com mascu.
Emerson fez vídeos contra Matheus,
em que ele diz: "O teu lugar é na
cadeia, Marce -- Matheus".
Mas o único vídeo famoso que
Emerson fez foi este na Índia.
Emerson ficou possesso e gravou três vídeos de meia hora cada um (sério!) me xingando de vagabunda mal-amada ogra parasita jubarte bosta canalha heterofóbica brancofóbica etc e fazendo graves acusações (como a que eu seria a autora dos sites de ódio e tivesse aliança com Marcelo). Só lembrando que dois dias antes Emerson suplicava uma aliança comigo e jurava que não tinha nada contra mim como pessoa, só discordava da minha ideologia. 
No sábado, quando saiu a matéria na IstoÉ sobre Marcelo, Emerson e ele acertaram uma trégua. Agora iriam se dedicar ao mal maior, que sou eu, evidentemente, e todo o "esquerdalho".
Conversa entre Emerson e Marcelo em 29/8/15
"Toda a direita quer ver Lola f*dida", diz Emerson para Marcelo
"Me deixem em paz que eu deixo vocês em paz", diz Emerson no chan que passou os últimos meses ameaçando sua filha de 2 anos com estupro e morte.
Sim, esses comentários no chan do Marcelo são anônimos. O fato é que, naquele mesmo momento na madrugada de sábado para domingo, Emerson retirou seus vídeos contra Marcelo do seu canal. E Marcelo parou de fazer com que seu chan assinasse todos os posts com o nome de Emerson.
E a camaradagem entre os dois continuou ontem, com promessas de "f*der [Matheus] Sathler".
Não podiam faltar os típicos planos de acabar comigo. Este é Emerson contando vantagem para os amigos:

E com memórias da época da prisão.
O amor é lindo, mas vamos voltar a 2014, quando Emerson era assessor parlamentar e jurídico do Dr. Matheus Sathler, como dizia no seu Facebook.
Facebook de Emerson no ano passado

Nesta foto que Emerson colocou em seu perfil na época, um padre apoia a candidatura de Matheus e abençoa um almoço da campanha. Afinal, segundo o "engenheiro", o padre é contra direitos de gays e considera a homossexualidade uma patologia mental.
Legenda que Emerson pos na foto: "Eu com o Pe Pedro Stepien, um dos líderes nacionais da campanha anti aborto e que estão com o nosso Movimento Capitalista apoiando o candidato Matheus Sathler" 
Porém, Emerson e o padre tem mais ligações em comum que a mera homofobia. Eles também são contra o aborto.
Emerson e padre exibem fetos de plástico p/provar que são a favor da vida
O padre da foto eu conheci faz poucas semanas, quando estivemos no Senado em Brasília vendo um debate sobre legalização do aborto.
Padre Pedro Stepien é um ativista católico contra aborto e "ideologia de gênero". Em março, em frente à Câmara, o sacerdote afirmou
“É mais fácil salvar uma criança quando a mulher é violentada do que quando ela pula a cerca. Aborto é um crime hediondo em qualquer caso". Religiosos, como sabemos, são contra aborto em todas as situações, inclusive em casos de estupro que resultam em gravidez e em risco de vida pra gestante.
Por que não fico surpresa que religiosos ultra-conservadores se aliem a misóginos?
Deixou de ser chocante ver bandeiras integralistas em marchas contra o aborto. Elas são a regra.
Religiosos têm várias pautas em comum com mascus neonazistas: o antifeminismo, a defesa da família tradicional, o ódio aos homossexuais, o combate à legalização do aborto e a outros direitos das mulheres. E, pelo jeito, essas pautas em comum justificam que religiosos fechem os olhos para a defesa que misóginos fazem do estupro.
Página de ódio do ano passado
Nunca vou me esquecer de uma mesa que dividi há alguns anos com uma militante do Católicas pelo Direito de Decidir. Ela explicou didaticamente que, para a Igreja, aborto é muito pior que estupro. Porque estupro pode gerar uma vida, enquanto o aborto acaba com uma. 
Também nunca esquecerei quando o arcebispo de Olinda e Recife excomungou os médicos que realizaram um aborto numa menina de 9 anos que corria risco de vida por estar grávida após ter sido estuprada pelo padrasto. O arcebispo excomungou também a mãe da menina e as feministas que lhe deram apoio. Só não excomungou o estuprador. E afirmou na cara dura que aborto é pecado mais grave que estupro.  
Outros que repetem isso de que aborto é incomparavelmente pior a estupro são os mascus. 
Ameaça do mascu sancto Gustavo Guerra a mim em dezembro
Pois é. Eu nunca fiz nem faria aliança com misóginos, até porque não tenho nada em comum com eles. Mas tem gente que tem, e que faz.
Marcelo para Emerson no chan ontem: "Matheus é seu aliado. Não subestime Dolores"